16.8.10
resposta ao eterno retorno
plano problema
ponte acima
monte
e crie um poema
8.7.10
tipologia parte poesia
parte que mede o que junta
é medo de uma partida
ou parto pr’outra medida
ou não muda quase nunca
juntar partes amiúde
partituras escondidas
participar desesvazia
em que fale ou que se mude
15.3.10
12.1.10
Mito de Criação - possibilidade III
pra fazer três sonetos
pra que de um deles fosse feito
o universo inteiro
o primeiro é que se chegou como se chega do bar
e pensa que é moderno e que diz que o tudo é o ar
sem ritmo ou linguagem sem vírgula e sem final
sem alguma força ou forca ou forma ou foca enfim sem foa
deixando o soneto sem rima o que nao agradou a maioria do povo
o segundo fez em um segundo
um hai cai sem graça
que ninguém entendeu
o terceiro fez uma música com tinta
e fez tinta com música em ritmo de sussurro
mas com liguagem parnasiana e analfabeta e muda ao mesmo tempo, como um beijo
e fez um silêncio que também era o sonho e era uma peça em que se participavam poeiras e pulgas de igual pra igual e também era brincadeira de criança
terminou com dança e um violino que tocava sozinho, pois tinha vida
falou de flores, de calores e de tambores
não usou letras, mas desenhos e abraços
chamou a primeira estrofe de vento; a segunda de olhar; a terceira de mãe; e a quarta de chocolate.
A galera gostou muito. Principalmente por causa do chocolate da última estrofe.
Mito de Criação - possibilidade II
Dessa forma, chegou-se a conclusão de que o Chuchu é o melhor representante do princípio do universo, pois, além de ser o quarto estado da água, provoca reações diversas no estômago e intestino, gerando pequenas maquetes do universo inflável e inflamável, que costumam sair voando por aí, depois de pequeno ato de divina criação.
19.11.09
Mito de Criação - possibilidade I
O silêncio falado.
Deus dançou a luz. E a luz se fez. E Deus gostou da luz, que é boa.
Deus prometeu aos homens que os ensinaria a dançar a luz, que passaria a luz. E lhes deus, o que Prometeu: passarinhos coreógrafos.
26.3.09
fuga: a irrealidade nos torna reais
Eu vi um jogo de computador do harry potter. Não sei como meu cérebro aceita isso. Deve ser fé. Um punhado de bites de bruxo que realiza magias. Tem que ser fé. Ou é fuga. Não sei. Eu olho de novo. E minhas conexões nervosas, minhas sinapses não reclamam. É como se fosse normal. Tem que ser fé.
Descartes me ajuda. Penso logo existo. O computador pensa por mim, suas sinapses de bites criam o harry potter interativo, vivo. Ele existe. Eu não existo no computador.
Platão. A filosofia começa com a perplexidade. Por enquanto ainda estou nos sombrios corredores de hogwarts. Mas algo me move! Acho que é meu espírito filosófico. Um sopro interno, ou uma coceira filosófica. Uma realidade maior (externa ao computador): um copo d’água! Os dois lado a lado. Copo de água versus capa de invisibilidade. Ambos inodoros, incolores e insípidos. Qual deles é real? Eu tomo a água e o harry potter veste a capa. Eu continuei bem, mas o harry potter sumiu! A capa deve ser irreal e derrama a sua irrealidade por quem quer que a use! É claro! Não existe efeito sem causa! E do irreal não pode gerar nada real! É isso!
Perplexo com a minha descoberta, afirmo categoricamente: o bite não existe, o harry potter não existe, magia não existe. E graças a hogwarts, me sinto real.
