15.9.10

quando là é aqui

Algumas impressões. Imaginem (importante verbo) que sempre pontos de vistas, mas, claro que não, absolutamente definitivos, em todos os sentidos.
Não definem. Não são absolutos. Nem terminados.
Algumas impressões...

Que quando andava e via tanta gente (que não era dali, mas "era" dali, sim). Verdadeiros? Que é verdadeiro?

No primeiro dia estávamos exaustos, pois houve virada de noite de avião. Todavia visitou-se o centro mesmo assim.
De Les Halles até a catedral da nossa senhora, tão famosa.
Depois, tantos passeios, tantas conversas, algumas sonecas, muitos queijos, muitas impressões...

Muito interessante perceber que há cidades que são mostradas em cartões postais, mas que ultrapassam a imagem imaginada. Há cidades que são, ao contrário, hiperimaginadas. Acho que Paris fica no meio termo: é como a imagem pelo ponto de vista de lucrécia neves: a ponte é mesmo a ponte, o beijo é mesmo beijo, o museu é de fato o museu, o sanfonista é o sanfonista e o carrossel é o carrossel.

Acho que existe uma espécie de manutenção da realidade em eterna ficção: uma realidade inventada, um grande cenário verdadeiro, uma cidade feita de propósito de ser si mesma.

Que cidade?
O cartão postal de um beijo, um passeio de mentira pelos boulevards, uma baguete comestível de cenário. Tudo são objetos de cena. Tudo é de fato falso. Inventado de ser si mesmamente falso.

É claro que a época do ano justifica. Mas isso não invalida a experiência, nem, muito menos, a reflexão.

Quando se pode construir memória todo dia?
Quando se é sempre uma eterna mentira de si mesmo, sendo verdadeiramente ela mesma?

Mas, por buscar a imagem de Paris, ela some nestas máscaras turísticas, falsas. Um eterno Epcot?
Não: no momento que não se deseja, no momento mesmo que se esquece, que se perde tempo, quando se desiste, quando não se olha, eis que se revela.

Sempre nos passeios em que se deita e se esquece. Toda vez que se anda de bicicleta ou saboreia o queijo, ou o pão. Ou quando se atravessa e se perde. Nas vezes em que se olha do outro lado. Nos estranhos sons dos trilhos do metrô. Nas paisagens perdidas descobertas. Tanto as vistas, quanto as sentidas. Pela água que escorre. No cheiro. Na memória perdida de La Seine.

"Paris est un théâtre où l'on paye sa place avec du temps perdu."

Um comentário:

  1. Là-bas é lá.
    Eu construo memórias todos os dias.
    Procuro não ser mentira de mim mesma.. não sei se tenho sucesso nessa tentativa

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